BY ANNA LUIZA OLIVEIRA SPOSITO
Desde a origem Hip-Hop e o DJe os anos 50, na capital da Jamaica, Kingston, pessoas se reuniam para dançar ao lado dos sounds system, estruturas grandes de alto falantes empilhadas nas ruas que tocavam
músicas, principalmente, estadunidenses, como o jazz e o heaven blues, conhecido também
como r&b. Contudo, a queda de popularidade desse último nos EUA, levou à sua ascensão na
Jamaica, onde antes era raro e levado, sobretudo, pelos donos dos sounds system. Assim, o
ritmo deixou de ser uma novidade e se criou, então, o r&b jamaicano, ao misturar o
estadunidense com ritmos caribenhos, como o calipso e o mentos, provocando,
posteriormente, o surgimento de gêneros jamaicanos: ska, rock steady e reggae.
Além disso, se sabe, também, que os griots, poetas e cantadores da savana africana, se
tornaram tradição na Jamaica, com histórias em versos passadas de pais a filhos e filhas sobre
tribos africanas.
Consecutivamente, as músicas tocadas nos sounds system, também, foram recriadas
por DJs, abreviação de disc jockey, sendo que “disc” na tradução para o português é disco e
“jockey” manobrista. Dessa maneira, o DJ é aquele que manobra o som por meio de um
disco, ou seja, é aquele que agitava as festas ao animar os participantes declamando versos
improvisados, sendo que, por vezes, incluíam críticas sociais sobre a realidade dos guetos, a
pobreza, os abusos policiais e a arbitrariedade do Estado, temas presentes na cultura hip-hop
até os dias atuais. Os guetos, no que lhes diz respeito, são espaços sociais superpopulosos,
sem assistência governamental, saneamento básico e condições mínimas de sobrevivências a
seres humanos, ocupados por grupos marginalizados pela sociedade, como, por exemplo, os
judeus na Segunda Guerra Mundial.
Nesse contexto, a Jamaica sofria pelo declínio da exportação de açúcar e banana,
resultando no êxodo rural dos migrantes afrodescendentes à favelas, como shantytown ou
trenchtown e periferias de cidades maiores, como Kingston e Montego Bay. Além disso, os
afrodescentes jamaicanos sempre estiveram por fora das decisões políticas. De acordo com
Rabelo (2003, p. 1 apud AGGREY, 1988) “classe” e “raça” estavam inter-relacionadas no
país, sendo que a burguesia branca, composta pela minoria da população, era responsável
pela política e economia; os mulatos controlavam o funcionalismo estatal, a Igreja, o sistema
educacional, os sindicatos e as demais organizações à população e, a maioria da população,
afrodescendentes, eram os trabalhadores braçais e desempregados com dificuldades de
mobilidade social, sendo denominados: sufferers (sofredores). Assim, contra a opressão de
classe e o imperialismo britânico e norte-americano, uma das formas de resistência dos
afrodescendentes era a emigração para a Inglaterra, os EUA e Canadá, além das religiões,
como o rastafarianismo e obeah e dos rude boys, identidade assumida pelos jovens do gueto,
remetendo a década de 40 com o significado “ser alguém quando a sociedade dizia que você
não era ninguém” (Rabelo, 2003, p. 2) e da música, ska, rock steady e reggae.
DJ Kool Herc, nascido em 1955, em Kingston, Jamaica, foi um dos imigrantes dos
EUA, mais especificamente no South Bronx, um dos cinco distritos de Nova Iorque, no qual
a maioria das pessoas eram pretas e possuíam baixa renda. O DJ tornou-se uma celebridade
nas block parties, festa no quarteirão dos bairros, onde reuniam em galpões jovens de todo o
Bronx para dançarem e se divertirem. Além disso, Herc introduziu o sounds system nos EUA.
Nesse momento, pode-se dizer que iniciava no Bronx o que se conhece hoje como o
movimento hip-hop, com influência no funk, como James Brown. Alguns rappers consideram
Kool Herc o pai da cultura hip-hop. Desse modo, mesmo não sendo possível afirmar com
precisão a origem do hip-hop, é possível afirmar que essa manifestação artística apresenta
origens afro-americanas. Imagem: internet
